segunda-feira, 9 de março de 2009

Rally com cara de rally

Todo rally para ser considerado rally tem que ter um pouco de tudo. Ontem cansamos de comer poeira e tomar muito sol na cabeça. Estava todo mundo só esperando quando a chuva viria e veio hoje. E para falar sério, não foi pouca não. Dá uma olhada nas fotos abaixo para ver a quantidade de água que a gente pegou assim que saiu do hotel em Primavera do Leste, com destino final em Paranatinga.






O problema da chuva é que ela molha. E molha bastante, pode acreditar. O “x” de chuva na lavoura é que ela pode ser muito boa e importante para a soja, mas aguentar a chuva que vem de cima, com as plantas todas molhadas não é moleza. Dá para imaginar como ficou a nossa roupa hoje, né? Acho que nem a minha mãe vai querer lavar minha calça, tanto que ela já está no lixo.



Mas a coisa poderia ser pior. Olha só como ficou o nosso carro hoje. Não tive coragem de tira foto por dentro, mas dá para imaginar como ficou depois da gente ficar andando pelo barro, né?




Isso tudo aconteceu na parte da manhã. Choveu quase o tempo todo, mas o calor ainda assim era infernal. Por aqui disseram que do alto de um morro aqui perto dava para ver o rabo do capeta. O duro é que, faça sol ou faça chuva, o nosso trabalho a gente tem que fazer. Tem que medir o espaçamento das plantas, contar quantas vagens tem em cada é, quantos grãos em cada pé, depois debulhar, pesar 100 sementes e depois pesar 300 gramas de soja para tirar a umidade. Mas dá pra ter idéia de quanta soja você precisa para ter 300 gramas? Parece pouco, mas vai lá colocar a mão na soja seca pra ver como é bom.

Para finalizar o dia, depois de um breve período sem chuva, adivinha quem estava voltando.











Foi dada a largada!



Pois é começou o Rally. E olha que para o primeiro dia de trabalhos esse domingão foi bem puxado. Deu para fazer de tudo um pouco. Vimos ultrapassagens radicais de caminhões em pista simples, contamos soja em vários lugares, tomamos muito, mas muito som e só um pouquinho de chuva. Fomos até obrigados a colocar as capas, porque o negócio estava molhando bastante. Tá certo que ficamos parecendo umas camisinhas, mas é melhor isso do que ficar molhado por aí.

Olha, se no primeiro dia aconteceu tudo o que aconteceu e eu estou me sentindo tão cansado, existem duas possibilidades para explicar. A primeira é que eu estou fora de forma e ficando velho. A segunda é que esse negócio de Rally vai acabar comigo até o próximo domingo. Na verdade acho que as duas questões são verdadeiras, o que me leva a crer que um condicionamento físico é algo que preciso urgente e que vida de agrônomo não é nada fácil.

Uma coisa sensacional para não dizer trágica, são as ultrapassagens de caminhões pelas estradas. Um caminhão a 30 km/h quer ultrapassar outro que está a 20 km/h. Isso tudo na subida. Vale lembra que não é difícil ver situações que outro caminhão vem no sentido oposto a pelo menos 80km/h, como dá para ver nessa foto.




Mas isso a gente nem tinha começado o Rally. Tudo começou nessa parada que fizemos, onde pegamos as “estradas de chão”, como se diz por aqui para rodar cerca de 400 km em apenas um dia. Parece pouco, mas nessas condições de estada as coisas ficam feias.






Mesmo que contar soja debaixo de sol e chuva seja um saco, certos momentos da viagem são para guarda na memória.


sábado, 7 de março de 2009

Mensalão no MT

Olha, realmente esse rally vai ser divertido.

Depois de duas horas esperando sair meu voo, em Brasília, passei mais uma hora e meia no avião tendo que ouvir um grupo de pescadores que estavam em excursão para Cuiabá. Pelo menos estavam vindo pescar num lugar que tem muito peixe mesmo, mas tinha que ser no mesmo avião que eu? Estava com sono, querendo dormir e tive que ficar ouvindo aquele monte de mentiras típicas de quem gosta de passar horas dentro do barco, enchendo a cara para depois voltar e dizer que pescou o maior peixe. Para ajudar eles encontraram duas mulheres de Mato Grosso, que se diziam pescadoras. Não dava para saber quem mentia mais, já que pela quantidade de maquiagem que as duas tinham elas só deviam conhecer peixe no prato, e olhe lá.


Mas a grande surpresa do dia foi outra. Estava eu fazendo meu check-in, junto com um agrônomo da Petrobras que vai acompanhar o rally com a gente, e quando eu viro para o lado quem está saindo? ilustríssimo deputado cassado José Dirceu, amigo íntimo do nosso presidente e poeta contemporâneo, Luis Inácio Lula da Silva. Não me contive, saquei o celular e tirei algumas fotos. Não tive coragem de falar que queria tirar uma foto com ele, minha cara de pau tem limite, mas deu para perceber que, assim como a nossa simpática ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, ele também andou freqüentando algumas clínicas de estética e entrando na faca.

As fotos que tirei não mostram isso claramente, mas dá para perceber que pelo menos não estou mentindo sobre a presença dele no humilde hotel Odara.


Roubadas começam cedo, bem cedo

Para que não sabe eu comecei nesse sábado mais um Rally da Safra, um evento realizado pela Agroconsult para fazer um levantamento das condições de lavouras do Brasil. Eu sei que a viagem será uma aventura, afinal, não dá para esperar outra coisa de um lugar conhecido como “Vale dos Esquecidos”. Quando contei isso para minha mãe a pergunta dela foi: você volta?

Enfim, sei que a viagem vai ser puxada e não muito fácil, mas não imaginei que a coisa começaria tão cedo. E quando digo cedo é cedo mesmo. Meu voo para Cuiabá saiu de São Paulo as 6h30. Isso mesmo, depois de trabalhar o dia inteiro na sexta-feira tive que sair da cama antes das 5h para ir para Congonhas e deixar o calorzinho gostoso que vinha do corpo da minha ilustríssima namorada. Ela foi muito companheira saindo da cama para me levar até a porta, mas o que eu queria mesmo era pegar ela no colo e correr de volta para cama.

E São Paulo é mesmo uma cidade que se vê de tudo a toda hora. No caminho vi um acidente em que o cara conseguiu bater sozinho naqueles postes que ficam no meio da Paulista. Como ele fez isso não sei, mas ele estava lá cercado por alguns policiais. Mas o mais engraçado foi mesmo ver um casal, completamente bêbado, conversando na escadaria do Club Holmes. Apesar de ser quase 5h30 da manhã e eles estarem bem alcoolizados, pareciam estar se entendendo bem.

No aeroporto é sempre aquela moleza de sempre, ainda mais pelo horário. Apesar de chegar uma hora antes do meu embarque fui obrigado ouvir da atendente: o senhor precisa ser rápido porque o embarque começa as 6h15. Olho no relógio e os ponteiros marcavam: 6h10. Quase mandei ela tomar naquele lugar, afinal, fiquei naquela fila 45 minutos, mas minhas condições mal permitiam que eu mantivesse meus olhos abertos.

No avião, mesmo apertadinho entre as poltronas, consegui dormir. Fui acordado por um sonoro: o senhor deseja lanche, algo para beber? Não! Meu desejo era continuar dormindo, mas como você já me acordou meu dá um negócio ruim desse mesmo. Sai de casa sem tomar café e aquilo evitaria uma dor de estômago mais tarde.

Agora estou eu aqui, em Brasília, esperando por minha conexão. Apesar de ter pousado as 8h10, tenho que esperar até as 10h30, quando decolo para Cuiabá para encontrar o restante da equipe que vai comigo fazer o rally. Mesmo sendo um sábado de manhã o movimento é grande no piso inferior. Filas, pessoas trombando umas nas outras, esbarrando em mim, gritando. Enfim, quem mandou escolher essa profissão? Se tivesse estudado um pouquinho mais teria virado advogado.